O Alienado Cult - Por Gilmar Guimarães

Publicado em 12/09/2018 às 08:47h

Prefiro que os meus amigos fiquem com a impressão de que sou alienado, diante do meu silêncio sobre fatos políticos, a me posicionar (falando besteira) e dar-lhes a certeza.

A alienação, no seu sentido mais geral, fala de pessoas, ignorantes, intelectualmente preguiçosas, que nao exercitam sua capacidade de pensar por si mesmas. Entretanto, este não é o único tipo de alienação. Por mais paradoxal que pareça, há um tipo de alienado bem informado. Vc pode ser um grande conhecedor da História, um grande leitor, ter uma vasta biblioteca em casa, gabar-se de sua impressionante coletânea de títulos acadêmicos e, ainda assim, ser um um indivíduo alienado.

Explico melhor. Na Psicologia, o termo tem uma acepção que remete à perturbação mental, perda da razão, como nos mostra a realidade da vida, pessoas cultas, inteligentes, bem informadas, não têm, por isso, imunidade contra a possibilidade da perda da razão, basta lembrarmos como terminou a vida de vários pensadores, artistas, e tantos gênios da humanidade. Um dos sintomas do "alienado cult", "bem informado", é que ele não tem o menor interesse em ouvir opiniões alheias, divergentes das suas e apenas se preocupa com o que lhe interessa, daí sua alienação: restringir sua cosmovisão à porção ideológica de que se alimenta; pensar que tudo que se opõem aquilo é menos inteligente, é perjorativo. A "alienação cult" alimenta-se necessariamente da arrogância pseudo-intelectual, que, em última instância, leva à perda da razão, isto é, quando no enfrentamento racional não for possível vencer o interlocutor/opositor no campo das ideias, do argumento, parte-se, sem pudores, para o terreno das rotulações, dos xingamentos, das agressões verbais e, em alguns casos, chega-se às vias de fato.

Este é o cenário que tenho visto por aqui, pessoas muito instruídas, cheias de leituras, de formações variadas: professores, advogados, teólogos, filósofos, religiosos, enfim, mestres do conhecimento, cuspindo no bom senso, pisando em regras básicas de convivência e de educação, que caracterizam a civilização moderna, reduzindo-se a um primitivismo bárbaro e violento, intolerante, expondo suas vergonhas em público - e de tão insanos que estão, nem se dão conta disso -, sendo vítimas das contradições dos seus próprios discursos. Isso é o que vemos a exaustão nas redes sociais... Como explicar tal extremismo entre gente tão "bem informada" senão por um processo de alienação, ou perturbação mental, gerada pela "doença ideológica" tão presente nesses dias?

Talvez, vc que é de direita, ao ler esse texto esteja imaginando seus conhecidos de esquerda e pensando que falo contra eles, talvez vc, de esquerda, esteja a imaginar que eu descrevo como funciona a mente da turma da direita. Sinto muito desapontar, tanto a este grupo, quanto àquele. Esse texto não é de direita nem de esquerda. É de centro, não o que vc imaginou... Mas o centro, onde mora o equilíbrio, a razão, o respeito, a tolerância, a gentileza, a capacidade humana da empatia... Esse texto não é contra pessoas ou partidos, muito menos contra a Política, mas um ataque fronral à alienação vestida de intelectualidade e de arrogância, calcada na paixão doentia, no fanatismo, na "doença ideológica"... E esta praga, como se nota, não tem uma só côr, não mora em um lugar específico, infelizmente, se alastra com força por todos "os lados".

(Gil Guimarães, em 09 de setembro de 2018)

Gilmar é calmonense, professor e músico.

Calmon Notícias, o site de notícias de Miguel Calmon e região.

 

 

 

 

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