Porque amanhã é sábado em Miguel Calmon - Por Renilton Silva (parte 4)

Publicado em 11/05/2018 às 22:40h


Foto: Feira Livre de M.Calmon, arquivo/Calmon Notícias


"Hoje é sexta, noitinha de devaneios.
E eu escrevo, porque é preciso lembrar que amanhã é sábado, e chove...
E sempre alguém me pergunta (especialmente os estudantes):
- Por que você fala tanto de Miguel Calmon?
Respondo a Adriele, Samily, e Ananda.
E aos meninos do Poço, Felipe e Gabriel. E digo a Denilson da Mangabeira:
- Um dia vocês irão a Miguel Calmon!
Leon, Duda, André e Caio, vão entender o que falo e conhecer as meninas do Sapé e as lágrimas do riozinho descendo de cabeça a baixo, passando na rua das Flores e perto da rodoviária, chorando quando a Gontijo parte, levando junto os meninos e as meninas da Bananeira, faceiras.
Se o buzu pegar a contramão e voltar pelo rio, encontra os meninos do Tanquinho, pela estrada de chão, Tapiranga, Distrito grande, próspero, longe.
É uma terra comum essa Canabrava, como tantas. Mas lá tem as meninas do Ribeiro e os meninos do Umbuzeiro.
Aí bate certo! Cheque! Mate? Nada, viva, como eram as Sempre-Vivas (só os fortes entendem).
Os meninos do Mocó, as meninas do Alecrim!
Aí sim, é ideia, tá ligado? É minha terra tem baba em todo lugar.
Tem violões e orquestra deles. Violões que falam, feira que grita, feito índio payayás e o eco das fanfarras e das bandinhas.
Lá na minha terrinha tem meninos de nascimento, de mudança ou meninas de casamento. Vira tudo gente nossa, vira gente dessa terra.
E alguém vai me dizer, que como a minha, tem tanta cidadezinha. Deve ter, talvez até melhor.
Mas se tu for em Canabrava, eu te dou daquela água que descia lá do Parque das Sete Passagens, água pura, escura, doce (isso que é água).
Aí tu se apaixona!
Lá o povo é mais sabido que eu, escreve “certo”, não essa linguagem do mundo e eu uso é linguagem porque ela parece retratar o coração.
E se tu for lá, eu te dou um pedaço de alegria, de fantasia.
E prometo que um dia vou ter uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janelinha, ver o sol nascer e com o tempo, morrer, abraçado ao sol, cheio de vida na mais linda terra do Piemonte da Chapada, a terra que chamam de Miguel Calmon, porque amanhã é sábado".


Renilton Silva é Calmonense, Professor e escritor.

 

Publicidade

Topo