Geoparque Serra de Jacobina: Oportunidade de desenvolvimento local e colaboração entre territórios - Por Carlos Victor

Publicado em 26/03/2018 às 09:41h


Figura 1 – A – Mapa da Bahia indicando a localização da Bacia Hidrográfica do Rio
Itapicuru; B- Mapa de Localização da Serra de Jacobina e Municípios confrontantes
(Rios, 2017).

 

Sabemos que a geologia e a paisagem influenciaram profundamente a sociedade, a civilização
e a diversidade cultural de nosso planeta. Ainda assim, até poucos anos atrás não havia o
reconhecimento internacional do patrimônio geológico e sua importância nacional ou regional.
Não havia uma convenção internacional especifica sobre o patrimônio geológico. Na tentativa
de aumentar este reconhecimento, em 1996 foi discutido o conceito de Geoparques por
representantes da França, Alemanha, Espanha e Grécia no Congresso Internacional de
Geologia na China, e em 13 de fevereiro de 2004 foi constituída uma Rede Internacional de
Geoparques da UNESCO.

Um geoparque é uma área protegida que tem como elemento principal seu patrimônio
geológico associado a uma estratégia de desenvolvimento sustentável. Corresponde a uma
área onde sítios do patrimônio geológico representam parte de um conceito de proteção,
educação e desenvolvimento sustentável. Possui não apenas um significado geológico, mas
também ecológico, arqueológico, histórico e cultural.
Geograficamente, um geoparque representa uma área suficientemente grande e de limites
bem definidos, de modo a subsidiar o desenvolvimento econômico local. No entanto, um
Geoparque não é uma unidade de conservação, nem é uma nova categoria de área protegida.
Sendo assim, à ausência de um enquadramento legal de um Geoparque é a razão do sucesso
dessa iniciativa em nível mundial. Um geoparque tem por objetivo preservar o patrimônio
geológico para futuras gerações (geoconservação), educar e ensinar o grande público sobre
temas geológicos e ambientais, prover meios de pesquisa para as geociências e fomentar
discussões mais amplas das questões ambientais.

Existem atualmente 127 geoparques em 35 países de todo o mundo, a maioria na Europa e
Ásia. Todos estes geoparques estão integrados no Programa Internacional Geociências e
Geoparques da UNESCO e recebem o título de “Geoparques Mundiais da UNESCO”. No
Brasil existe somente um geoparque integrado à Rede Global de Geoparques, o Geoparque
Araripe (2006) localizado no Estado do Ceará, o primeiro das Américas e, até o momento, o
segundo geoparque latino-americano.

Neste sentido, a Serra de Jacobina demonstra um enorme potencial. Este conjunto de serras
historicamente teve sua importância relacionada à existência de camadas de conglomerados
auríferos de reconhecido valor econômico. Somado a isto, a Serra de Jacobina destaca-se
como a principal fonte de água potável da Bacia hidrográfica do Rio Itapicuru. Além dos
aspectos históricos e culturais, destaca-se também pela presença de turfas de montanha, que
em outras partes do mundo são protegidas, pelo fato de serem elas próprias o habitat de uma
grande diversidade de espécies raras e servir como um verdadeiro reservatório purificador de
água. Tudo isso por si só já justifica a existência de um Geoparque na região.
Portanto, a elaboração de uma proposta do Geoparque da Serra de Jacobina, de forma
integrada entre os 10 municípios confrontantes (Figura1) com as Serras, parece ser uma
medida razoável e que contribuirá para aumentar a consciência e a compreensão dos
habitantes da região para questões chave com que a sociedade se depara atualmente, por
exemplo, a escassez e poluição dos recursos hídricos. Mas para isso, se faz necessário um
esforço conjunto dos meios acadêmicos, dos órgãos governamentais de âmbitos federal,
estadual e municipal, da iniciativa privada e das populações locais.

Por fim, a presença do Geoparque Serra de Jacobina poderá desencadear nos habitantes da
região um sentimento de orgulho, de modo a fortalece a sua identificação com o território, o
que por si só somará esforços para o despertar de uma conscientização sobre a importância do
patrimônio geológico da região na história e na sociedade. Além disso, contribuirá para o
desenvolvimento sustentável das populações nas suas áreas de influência, conciliando um
modelo de desenvolvimento econômico à preservação e manutenção dos recursos naturais
disponíveis.

 

 Carlos Victor Rios da Silva Filho / Geólogo Dr.

 Da redação/Calmon Noticias

 

 

 

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